domingo, 17 de julho de 2011


Meu pai está fazendo 60 anos amanhã.. meu irmão escreveu um texto que quero compartilhar..

Meu pai é um homem simples. Acorda antes das sete horas todo dia, mesmo que não precise. Mas ele sempre precisa: Alguém sempre precisa dele. Talvez um filho com uma ajuda, talvez a horta com seus cuidados, talvez a casa com seus 15 anos. Levantou cedo por muito tempo, como todo bom trabalhador. Hoje em dia os horários são mais flexíveis, e as tarefas mais prazerosas. Pelo menos eu noto isso no sorriso dele. O mel é seu segredo de saúde, e dos anos a menos na aparência. Tem uma energia invejável, e sabe de tudo um pouco. Ele só não ajuda com a memória, que inclusive é hereditária. Sim, nós perdemos tudo. E só minha mãe ou minha irmã para achar. Mas ele se conhece, e compensa em organização. O orçamento em excel é preciso, afinal, a vida não tá facil para ninguém. Alías, nunca foi para ele. O que só me faz admirá-lo mais pelo que construiu. Ele não gosta de cachorros, mas adora saber que o meu bicho sente a falta dele quando ele volta pra casa. Não toma chimarrão, mas gosta da roda. Aquela de toda manhã, ao menos em todas que estou em Taquari. Lá se fala do Grêmio, das colunas da ZH, das ações que não subiram.. e mais de Grêmio. Carreteiro no sábado, churrasco no domingo. E um risoto de camarão de vez em quando. Sempre com o vinho, que também faz parte da dieta. Depois, nada mais justo que uma boa sesta, ouvindo Vivaldi ou sintonizando a Antena 1. Seu Paulo não é diplomado, e nem precisa dessa honraria. A vida o tem com as melhores notas. Me ensinou que somos resultado das nossas escolhas, e do tamanho dos nossos sonhos. E me permitiu sonhar, mesmo que isso custasse alguns sonhos dele. Sempre me lembra de ser precavido, sem deixar de ser ousado. Têm um coração gigante, mesmo quando parece fechado. Me passa seus valores no olhar, no agir. Isso porque nunca foi de grandes palavras. É um homem prático, e é na pratica que confirma seu valor. Falei com ele a pouco no telefone. Foi uma quarta corrida no trabalho. E nem falamos muito. Ele só queria saber se eu estava bem, nada mais. Simples assim, como ele. Descrevê-lo ao voltar pra casa é só para mostrar para ele que meu amor é tão incondicional quanto o dele. Acho que já sei como acordá-lo no seu aniversário... Simples e único. Simples e meu. Meu heroí.

Plinio Soares

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